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Dicas de percepção de cor e luz

Vida de ilustrador não é fácil, né? Pois bem, vim compartilhar algumas dicas para o estudo de paisagens e como capturar a sensação ao invés vez de se perder em detalhes intrincados nessa batalha que é a (precisa) percepção de cor e luz.

Enfim, basta tentar imitar o que você sente, sem preocupação com os detalhes. Gente de qualquer nível de experiência pode começar a praticar prestando atenção nisso~

Fiz o exercício no Photoshop e cito várias ferramentas dele, mas acredito que no final ficará bem claro que estas dicas se aplicam a qualquer tipo de foto (não só paisagens, como pessoas, outros desenhos, etc) e estudos, que  poderão ser feitos digital ou tradicionalmente.

Dicas de observação e pintura

imageDesfocar a vista

Desfoque/”embace” a vista para analisar a referência! Fazer isso toda hora faz bem para os olhos? Não sei!~ Não fiquem ceguetas pfv  Mas a vista “embaçada” remove todos os detalhes da imagem e deixa à mostra apenas as manchas da composição, dando uma ideia geral boa do que está acontecendo na imagem. Confira a floresta acima turvando a vista e note como a perspectiva atmosférica fica mais identificável. Também é possível traçar linhas imaginárias onde as área laranja de luz dá espaço aos tons mais escuros dos cantos, assim como posicionar melhor as árvores no desenho.

Evite pintar sobre um fundo preto ou branco.

Tente usar pelo menos a cor do céu como fundo, ou criar gradientes com as áreas de cor prevalecentes antes de começar. A figura abaixo pode ter uma configuração de fundo azul + gradiente verde no centro representando as folhas e algumas pancadas de bege (os ramos) acima de tudo. Aí você começa a refinar e adicionar sombras. O que quero dizer é: O balde de tinta é seu amigo, porque ele trabalha com áreas grandes e não se preocupa com detalhes. Falaremos mais sobre isso adiante. 

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Afaste-se lentamente do conta-gotas e ninguém sairá ferido.

É como usar uma trapaça num jogo para sair de uma área em que você está preso. Pode virar hábito. Use apenas quando estiver numa enrascada, e não para só copiar as cores da imagem e sair pintando. Tente adivinhá-las a olho mesmo, antes. Eu uso o conta-gotas no final do estudo para checar onde errei, ou se estou muito encucada com alguma cor que não consigo acertar – e, mesmo assim, depois de ver a cor original eu tiro a informação do conta-gotas e tento adivinhar as cores novamente.

Valores! (é a tal da escala de cinza, ou grayscale)

Cores ou matiz ≠ escala de cinza. A variação de tons de cinza numa figura dá forma à imagem e só isso já deixa uma figura identificável, mesmo que ela não tenha cores (por cores eu quero dizer matiz, na verdade. O termo é mais preciso, neste caso.) Uma imagem composta por cores e sem lógica nos valores fica indecifrável.

Esta imagem do idrawgirls.com (artigo completo here!) resume o tópico:

imageGrande => Pequeno

Tente manter 100% de sua pintura visível pelo máximo de tempo possível, quando nos estágios iniciais. Ane, pare de complicar nossa vida com essas dicas  Dar zoom = focar em detalhes, mas estabelecer uma composição sólida e iluminação convincente antes de refinar a imagem é essencial.

Pincéis personalizados ajudam, mas não são necessários.

A chalk brush do Photoshop + remover hardness de qualquer round brush vai ajudar definir a atmosfera inicial de quase qualquer imagem. Não se preocupe em baixar pacotes de pincéis logo de cara, mas experimente bastante com as configurações dos pincéis, pressão da caneta, scatter, diâmetro mínimo, etc.

Mais uma vez: Não usar pretos e brancos puros.

Tente usar pelo menos alguma cor da composição nas sombras e luzes se sentir que a pintura não está muito “3D” ou dinâmica. Geralmente isso resolve. Tentarei explicar com um exemplo: Olhos e peles em desenhos de iniciantes costumam ser branco puro, porque temos essa ideia de que olhos = brancos ou da cor mais clara do desenho; quando na verdade as sombras e reflexos em volta deles os preenchem com os mais variados tipos de cor e valores. Por que isso acontece? Pretos e brancos puros são coisas ideais que não existem na natureza. Um objeto “preto” pode ser de um tom de “preto” mais claro que outro. A visão também varia de indivíduo para indivíduo, e nosso repertório de símbolos pessoais do que representa “olho”, “mão,” “cabelo,” etc  atrapalham… Resumindo, dorgas.

  • Se você está se sentindo um pirata destemido (e apenas um pirata destemido, nada mais), pode fazer miniaturas grayscale usando lápis e papel, a partir de referências fotográficas ou screenshots de games.

E aqui é a lambança resultante dos meus estudos. Achei que as árvores da última imagem parecem tirinhas de queijo sob o pôr do sol. O quê?

Bons estudos! 🙂

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Falo um pouquinho mais sobre observação neste post com ilustrações do universo de Game of Thrones. E, se ficou alguma dúvida, comente!

 



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